Sunday Drops 🌊 #26

Volume recorde de VC na LATAM; O outro lado da euforia; North Star Metric; Métricas de Produto; Timing; Princípio de pareto

Fala pessoal,

feliz agosto para todos vocês. Para quem é novo ou nova no Sunday Drops, bem vindo e bem vinda! Aos domingos costumo enviar dois tipos de news: (i) artigo autoral (ii) um compilado de reflexões.

Hoje vou compartilhar reflexões e artigos sobre diferentes tópicos relacionados ao mundo de estratégia, startups, produto e outros assuntos.

Vamos lá:

Sobre os US$ 5.2 bilhões investidos em startups no 1º semestre de 2021

Nasci em Sergipe e o PIB do estado em 2018 foi de 42 bilhões de reais. Somente no H121, US$ 5.2 bi (~26B de reais) foram investidos via Venture Capital no Brasil. Se mantivermos esse ritmo, provavelmente será despejado em startups mais que o montante do PIB do meu Sergipe. Isso mostra a magnitude e agressividade do crescimento do mercado de VC no Brasil.

O ritmo acelerado e nós estamos vivendo um momento unico. A fotografia do momento de tech é interessante:

  • Temos capital semente para financiar novas jornadas (fundo de early stage como Astella, Kaszek, Monashees, Canary, Redpoint, Valor, etc etc etc);

  • Temos fundos de growth capital investindo constantemente (como o fundo de US$5 bi do Softbank, Tiger, Coatue);

  • Está crescendo o ecossistema de exit (TOTVS pagou R$2 bi em CASH pela Resultados Digitais, Magalu pagou R$1 bi em CASH pela Kabum). Temos players com liquidez suficientes para fazer aquisições com múltiplos altos em startups que poderiam seguir outras trilhas;

  • Vemos o crescimento empreendedores experientes indo para segundas jornadas (como o Patrick Sigrist que cofundou o Ifood e criou a Nomad ou o Daniel Wjuniski que criou a Sallve após outras jornadas);

  • Vemos o crescimento de colaboradores chaves saindo de scale-ups e indo montar suas próprias startups.

Sem dúvida, ainda temos problemas estruturais como: a escassez de mão de obra qualificada em tecnologia (devs, PMs) e também a falta de democratização desse capital (sinto que 95% dele está no mesmo CEP).

Quando entrei no mercado em 2017, escutei muito a seguinte frase:

O ecossistema brasileiro de startups ainda não está maduro.

Por mais que o ecossistema de startups ainda esteja muito longe da sua capacidade, a evolução do cenário brasileiro nos indica que estamos caminhando a passos largos para uma maturidade. Isto significa menos gargalos e mais oportunidades para empreendedores, investidores e colaboradores do ecossistema.

Lets keep moving on, com olhos nos gargalos, mas celebrando essas conquistas.

Sobre o outro lado da euforia

Se por um lado Lucas está animado, no outro está atento.

A real é que os valuations das empresas de tecnologia nunca estiveram tão altos. O montante de investimento no early stage (seed, series A) também cresceu muito conforme a imagem abaixo:

Com isso em mente, durante uma conversa com um gestor de fundo de ações que conhece muito do ecossistema tech, perguntei sobre a percepção dele sobre o momento de múltiplos altos, qual é a longevidade e o que ele acha que acontecerá nos próximos 3-5 anos.

A resposta dele foi:

Em primeiro lugar, você fez a pergunta errada. O mundo é cíclico. O que nos resta saber é onde estamos no ciclo. Tendo a crer que estamos no ponto mais alto e efusivo do ciclo, e dito isso vai acontecer no futuro um reajuste.

Estar no auge do ciclo não significa que não há oportunidades ou que todos irão perder dinheiro. Longe disso. Ainda há grandes oportunidades a serem captadas. Mas investidores tendem a investir com uma desproporcionalidade de risco e retorno, ou seja, muito risco para um retorno que tende a não ser tão expressivo.

Ainda assim, o Brasil tem tantas oportunidades e nosso mercado é tão imaturo, que existem diversas possibilidades de criar ou investir em empresas que vão gerar muito e muito valor.

O mundo tende a seguir uma lógica como o Hype Cycle da Gartner:

Sobre a North Star Métric (NSM)

Quando você aprende a surfar, uma das principais lições é sempre olhar para o local da onda onde você quer “atacar” na onda. A partir do nosso olhar, a postura do nosso corpo se molda e torna todo o processo mais fácil. Existe muito poder a partir do que escolhemos focar.

Para as empresas, esse espaço onde a organização precisa olhar chama-se a métrica North Star (NSM).

Um caso interessante é relatado por Ed Baker, executivo americano que participou do crescimento de dois gigantes, do Facebook e do Uber. Durante uma entrevista em 2017, ele comentou que no Facebook a NSM era o "Daily Active User”. Todos os colaboradores eram incentivados a pensar se o output do trabalho geraria um aumento dessa métrica. Caso não gerasse, não deveria nem ser feito. Para ele, NSM é uma forma de manter todo o time alinhado em prol de um objetivo.

Quando Ed ingressou no Uber, a primeira coisa que ele fez foi buscar institucionalizar a NSM. A métrica escolhida para o Uber acabou sendo "Weekly Trips", pois seu aumento reflete em mais sucesso para os "dois lados” do marketplace (tanto motoristas quanto passageiros).

Outro startup que utiliza essa abordagem é o Spotify e a imagem descreve como funciona a concepção da NSM para eles:

Se você quer institucionalizar na sua startup ou aprofundar sobre o tema, vou deixar dois links abaixo que podem te ajudar:

👉 North Star Métrics - Future A16z

👉 North Star Playbook - Amplitude


Sobre métricas de produto

No meu artigo da semana sobre a Robinhood, mencionei como um dos méritos da empresa o engajamento do produto (no caso, o DAU/MAU era de 47%).

É importante tanto a nível estratégico quanto operacional o acompanhamento dos níveis de engajamento de produto. E para entender se está de acordo ou não com o esperado, é preciso olhar os benchmarks. Nossa fonte de benchmark da Astella nessa ciência costumeiramente é o benchmark de produto do Pendo. Ele é resultado de um estudo sobre dados de produtos de mais de 1.000 empresas

Recomendo verificar, incorporar nos reviews internos de estratégia e até em um pitch pois sem dúvidas é um dos aspectos mais importantes para investidores de VC.

👉 Product Benchmarks


Sobre a falácia do timing perfeito

Deixa eu contar uma história.

Sempre tive um carinho por escrever (por mais que não tenha feito de forma recorrente antes da newsletter). Redação era uma das minhas matérias favoritas na escola e quando entrei na FGV, escrevi uns 5 artigos para Folha de São Paulo em co-autoria com Samy Dana.

Entrei na Astella e uma das minhas maiores motivações era devido a qualidade e autenticidade dos conteúdos, tanto no podcast quanto nos blog posts feitos com maior frequência pelo Rigonatti.

Passou-se 1 ano e eu pensava em como escrever de forma mais consistente meus artigos. Objetiva ter uma newsletter, como as pessoas que eu admirava tinham ao redor do mundo, mas algo me limitava a colocar na prática. Não sei o que era, mas sempre adiava. Esperava o momento perfeito.

E sei lá, chegou um dia que simplesmente comecei. E quando fiz isso, eu vi que não teria mudado nada se tivesse começado antes ou depois. Mas a lição que tive é que não existe timing perfeito.

Essa percepção veio a tona também em uma mentoria recente com Chris Yeh. Em um dos slides, ele trouxe a imagem abaixo:

Ele contou o exemplo pessoal: Ele morava em outro lugar no USA e decidiu voltar para California a fim de se aprofundar no ecossistema tech. Quando ele retornou, era simplesmente o momento em que a bolha da internet já tinha começado a estourar e havia uma desanimação generalizada do ecossistema. Teoricamente o pior timing possível, mas para ele, não existe timing perfeito

Essa é a reflexão: só vai.


Sobre o principio de Pareto

Vilfred Pareto, empreendedor que virou economista e professor tinha um grande questionamento:

Por que a riqueza da Itália estava concentrada na mão de tão poucas famílias?

A partir dessa busca, foi criado o principio de Pareto. A regra básica subjacente ao princípio de Pareto é que, em quase todos os casos, 80% do total dos problemas incorridos são causados ​​por 20% das causas do problema. Portanto, concentrando-se no principais problemas primeiro, é possível eliminar a maioria dos problemas.

Podemos aplicar a regra 80/20 a quase tudo:

  • 80% das reclamações de clientes são provenientes de 20% dos seus produtos e serviços.

  • 80% dos atrasos no cronograma resultam de 20% das possíveis causas dos atrasos.

  • 80% do tráfego da internet está concentrada em 20% dos principais sites

  • 20% dos seus produtos e serviços respondem por 80% do seu lucro.

  • 20% da sua força de vendas produz 80% das receitas da sua empresa.

  • 20% das startups correspondem a 80% dos retornos.

Não precisa ser caxias no 20/80. É mais um modelo mental que mostra que um número reduzido de inputs gera a maior parte dos outputs.


Fotos da semana

Primeiro ouro olímpico da história do surfe 🥇

Italo Ferreira, brasileiro, nordestino, guerreiro e campeão.

A foto abaixo representa um momento histórico. O bronze olímpico, melhor colocação de todos os tempos do tênis brasileiro por duas mulheres que não sabiam que iriam competir 15 dias atrás e se superaram em todos os jogos 👑👑👑


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Uma ótima semana a todos,

Lucas