Sunday Drops ūüĆä #18

Paul Graham sobre excelência, o poder das marcas, tempo para conquistar product market fit e a navalha de Occam

Doming√£o de Sunday Drops.

Vambora para a primeira edi√ß√£o de junho, a #18 do ano. Separei alguns artigos e reflex√Ķes que estiveram nos meus pensamentos nessa √ļltima semana.


Sobre excelência

Me deparei essa semana com um discurso que Paul Graham preparou para alunos de uma High School nos Estados Unidos. O que me tocou nas palavras de PG é que ele acredita que existe uma deturpação quando se fala de gênios ou pessoas que conseguiram grandes feitos na sua vida. As histórias de vida dessas pessoas são vistas como resultantes de um Q.I alto ou de um dom que uma força superior escolheu para esses seres especiais.

PG discorda dessa visão. Para ele, a causalidade do sucesso está atrelada principalmente ao trabalho duro. E esse pensamento acaba por ser desconfortável para as pessoas, uma vez que nos tira a crença limitante que alguma pessoa é favorecida por um fator exógeno.

"Which is an uncomfortable thought. If they were just like us, then they had to work very hard to do what they did. And that's one reason we like to believe in genius. It gives us an excuse for being lazy." PG

Na minha carreira, tive o prazer de trabalhar com gênios, pessoas respeitadas e renomadas nas mais diversas ciências. A cada dia eu vejo mais que o sucesso está correlacionado ao trabalho duro que elas fizeram, que permitiram a "Boa Sorte", isto é, o alinhamento entre sorte e preparação.

Genialidade existe sim, mas não corresponde nem por 1% dos grandes sucessos. O que está por trás é trabalho duro.

In fact I suspect if you had the sixteen year old Shakespeare or Einstein in school with you, they'd seem impressive, but not totally unlike your other friends - PG


Sobre Product Market Fit

√Č curioso como um conceito criado h√° mais de 15 anos, quando o iphone nem tinha sido lan√ßado, ainda √© o mais importante para as startups early stage. Estou falando do Product Market Fit (‚ÄúPMF‚ÄĚ), que √© supostamente esse ‚Äúmomento m√°gico‚ÄĚ no qual as empresas conciliam a entrega de valor do seu produto com uma necessidade existente de uma parcela de pessoas/empresas.

Product Market Fit √© um desses conceitos que s√£o f√°ceis de entender, mas, na pr√°tica √© muito dif√≠cil de articular o que de fato √©. Para mim, enquanto para algumas startups o PMF √© algo √≥bvio, para a maior parte delas compreender se tem ou n√£o o PMF √© uma grande inc√≥gnita.

Lenny Rachitsky compartilhou algumas histórias sobre o tempo e como foi o PMF de startups de marketplaces.

-> Time to Product Market Fit https://www.lennysnewsletter.com/p/time-to-product-market-fit

-> Também já escrevi um artigo sobre mensurar PMF através de 2 métricas.


Sobre o poder das marcas

No √ļltimo Sunday Drops, comentei que Peter Thiel acredita que existem 4 formas de uma empresa evitar competi√ß√£o e acessar lucros monopolistas. Uma delas √© atrav√©s do Branding.

Fico impressionado que mesmo em meio a uma sociedade com tantas op√ß√Ķes de consumo, o poder da marca ainda se faz t√£o presente.

Durante 1 semana em Maio, o mais rico do mundo n√£o era Bezos, Musk, Gates ou Zuckenberg, era Bernard Arnault, fundador e principal acionista da LMVH, empresa dona das marcas como Dior, Louis Vuitton, Givenchy. A empresa tem um market cap de ‚ā¨ 320 bilh√Ķes e fatura ‚ā¨ 50 bilh√Ķes por ano atrav√©s de 75 marcas de luxo.

Se voc√™ entender o que h√° por tr√°s dessa gigante, √© o poder de construir marcas. N√£o d√° para menosprezar a qualidade do produto como parte da equa√ß√£o, mas sem d√ļvida a jogada √© criar experi√™ncias, campanhas, produtos que alavanquem a percep√ß√£o de valor da marca.

Jobs tem um belo discurso em 1997 no qual ele fala sobre como estava re-orquestrando o marketing da Apple

To me, marketing is about values. This is a very noisy world. And we’re not going to get a chance to get people to remember much about us. No company is. And so we have to be really clear about what we want them to know about us….

One of the greatest jobs of marketing that the universe has ever seen is Nike. Remember ‚ÄĒ Nike sells a commodity; they sell shoes. And yet when you think of Nike you feel something different than a shoe company. In their ads, they never talk about the products. They don‚Äôt tell you about their air soles and why they‚Äôre different from Reebok‚Äôs air soles.

What does Nike do in their ads? They honor great athletes, and they honor great athletics. That‚Äôs who they are; that‚Äôs what they‚Äôre about.

Essa sessão foi um sumário das ideias retratadas por Alex Taussing, no seu ótimo texto sobre branding.


Occam's Razor - Modelo Mental

Tenho estudado sobre modelos mentais e pretendo adicionar esporadicamente uma sess√£o nos Sunday Drops com um sum√°rio sobre algum modelo.

O de hoje é o Occam's Razor ou em português, a Navalha de Occam. O criador desse modelo foi um frade e filósofo inglês William of Ockham que viveu na idade média.

Esse modelo mental advoga pela simplicidade. Em suma, ele diz que se existem duas teorias sobre algo, sempre √© prefer√≠vel escolher a mais simples em compara√ß√£o a mais complexa. Solu√ß√Ķes simples s√£o f√°ceis de verificar e de se explicar pois usualmente envolvem menos hip√≥teses.

Einstein foi um dos cientistas influenciados pela heurística de Occam. Para ele:

Dificilmente se pode negar que o objetivo supremo de toda teoria √© tornar os elementos b√°sicos irredut√≠veis t√£o simples e t√£o poucos quanto poss√≠vel, sem ter que renunciar √† representa√ß√£o adequada de um √ļnico dado da experi√™ncia.‚ÄĚ Ou ‚ÄúTudo deve ser o mais simples poss√≠vel, mas n√£o mais simples‚ÄĚ Einstein

Até a teoria de Pareto casa com o principio da simplicidade. A ideia que 20% dos fatos explicam 80% dos outputs de qualquer evento é alinhado com o principio que poucas variáveis explicam a maior parte do resultado de qualquer aspecto da vida, dos negócios ou da ciência.

Como todos os modelos mentais, vai existir imperfei√ß√Ķes mas vale a pena aplicar essa heur√≠stica principalmente para primeiros entendimentos sobre um novo assunto.

A verdade é que o mundo de buzzwords, da complexidade de excessiva tende a ser repleto de bullshitagem.

Aprendi com o mestre Fernando Reinach que os assuntos mais complexos, como deep tech, podem ser discutidos atrav√©s de termos simples, que √© como ele faz no seu blog do estad√£o desde 2004. √Č um desafio, inclusive para mim, expressar teorias e pensamentos de forma mais simples. Mas a real √© que acredito que na simplicidade que se reside a real sabedoria.


An√°fora


Foto da semana

escrit√≥rio improvisado enquanto escrevia esse Sunday Drops ūüĆä


√Č isso pessoal,

uma semana de muitas conquistas para vocês,

lucas

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