Inside Comp
Os bastidores do primeiro cheque da Khosla na América Latina
Quem acompanha o Aura sabe que a relação com cada conteúdo produzido vai além do tradicional.
Para o tema Comp, mergulhei em Forward Deployed Engineers e na história de Vinod Khosla: dois blocos que, juntos, formam o contexto da empresa, estratégia e investimento da Khosla Ventures.
Quero encerrar essa série com um convidado mais do que especial: Thomaz Stanislauki, hoje parte do time de produto da Comp. Empreendedor em formação, é alguém que tenho o prazer de conviver ao longo dos últimos anos.
Quando decidi aprofundar em Comp, alguns meses atrás, a ideia surgiu naturalmente: pedir para ele contar, a partir do próprio relato, o que é trabalhar nessa empresa que tem atraído tanta gente boa.
Ele fez. E o resultado mostra, de dentro, como é um ambiente de alta performance e por que isso explica o crescimento da Comp melhor do que qualquer dado financeiro (assim como ficou claro no episódio do BTG Pactual).
Espero que goste. E te recomendo seguir a newsletter do Thomaz que, por razões óbvias de Comp, tem saído com menos frequência do que ele gostaria.
Antes de avançar, dois recados rápidos.
O primeiro: escute o episódio da Comp. Um número que me orgulha muito — 33 minutos de retenção média em 43 minutos de episódio. Vale cada minuto.
O segundo: Esta edição é oferecida pela Onfly.
O livro que a Onfly presenteia cada novo funcionário se chama Garra, de Angela Duckworth. A tese central: para atingir excelência, é preciso paixão e perseverança, não apenas talento.
Isso não é parede de escritório. Está no DNA da empresa. A Onfly quase faliu na pandemia. Foi a qualidade e a determinação do time que a transformou na travel tech líder do Brasil. Toda vez que converso com alguma liderança de lá, tem um projeto novo, uma feature nova, uma estratégia nova para gerar mais valor. Isso é fruto de pessoas que querem muito.
E você quer pessoas assim ao seu lado.
No produto, esse DNA se traduz em eficiência, economia e uma experiência de usuário que reduz a fricção nas viagens corporativas da sua empresa.
Conheça mais a Onfly pelo link abaixo.
Inside Comp
Este é um texto inspirado em “Inside Cursor: sixty days with the AI decacorn”.
O objetivo deste texto é abrir, sob o meu ponto de vista, os bastidores da Comp. No último ano, crescemos >400%, levantamos um Series A de R$100 milhões com um dos mais renomados investidores do Vale, atendemos as empresas mais inovadoras do país, como Nubank, iFood, Creditas, Quinto Andar e aprendemos muito sobre como operar na fronteira com AI e Forward Deployed Professionals. Tudo isso com menos de 50 pessoas.
Em especial, esse texto é para pessoas que, assim como eu, são jovens e têm o sonho de empreender ou trabalhar em uma startup de hipercrescimento. Escrevi esse artigo pensando em matar as mesmas curiosidades que eu tinha ao ver matérias de grandes rodadas. Se ao ler sobre os bastidores você tiver interesse em fazer parte disso, sugiro que fique até o final, pois preparamos algo único para pessoas como você.
Disclaimer: esse é um texto de cunho pessoal. Nenhuma das opiniões emitidas aqui é opinião da instituição em que trabalho, sócios, colaboradores, clientes ou parceiros.
O que é a Comp por alguém que vive ela
A tese da Comp tem duas crenças fundamentais:
O ativo mais importante de qualquer empresa são as pessoas.
O produto/serviço que as empresas contratam para gerir esse ativo (tradicionalmente chamado de RH) precisa ser reinventado.
Na prática, nós combinamos os melhores engenheiros de AI com os melhores profissionais de RH para ajudar founders, CEOs e CHROs a alcançarem objetivos de negócios pensando sobre RH de forma mais estratégica e a partir de “first principles”.
Não pense em nós como um software. Nem como uma consultoria. Pense em nós como Palantir for HR.
Como é trabalhar na Comp
Trabalhar na Comp é como ser parte de um time especial de Fórmula 1 cujo objetivo é testar o limite de velocidade do carro em uma pista em que você não sabe onde está a próxima curva.
A todo momento você está no dilema: será que já estamos rápidos demais e existe uma curva logo à frente? Ou, dado que conseguimos fazer a última curva a 300km/h, por que não conseguiríamos fazer a próxima a 350km/h?
Estamos constantemente desafiando convenções sobre o que é o limite enquanto mantemos a esperança de não partir o carro ao meio no processo. E, mesmo sem enxergar toda a pista, você confia no carro. Confia nas peças. Confia nas instruções do time no rádio. E, principalmente, confia que todos estão fazendo o mesmo esforço para acelerar sem perder estabilidade.
Sei que isso parece abstrato. Então, separei dez pontos práticos de bastidores que fazem, para mim, trabalhar na Comp ser tão fascinante.
1. Sentimento incessante que as coisas mais quebram do que dão certo, mas ainda assim não paramos de crescer
Em 90% dos meus dias na Comp, eu saí com sentimento de fracasso. As coisas não deram tão certo quanto eu esperava. Eu não finalizei tudo o que me tinha proposto a fazer. Fui exposto a problemas de que eu não tinha ideia de onde começar. Tudo isso com prazos, honestamente, assustadores.
O lado bom de tudo isso é passar a estar confortável com o fato de que as coisas nunca vão estar 100% “in place”. Com a velocidade que avançamos, sempre vai faltar gente, processo, ferramenta, tempo. Mesmo assim, não existe outra saída que não o outro lado. Simplesmente, a demanda pelo que fazemos é tão alta e há tamanha admiração pelas pessoas com quem você trabalha que não existe outra opção além de resolver com recursos faltando e sentimento de insegurança.
Com menos de 3 meses de Comp, o Pedro (cofundador) entregou para mim e para o Bruno C. uma dúzia de clientes para cuidar, porque ele não tinha capacity para atender, à velocidade em que estávamos crescendo. Não existia playbook nem handoff estruturado. Existia desafio, expectativa e pressão. E, olha aí, estamos vivos e crescendo sem parar.
2. Confiança
Em uma empresa que opera na nossa velocidade, é impossível estar ciente de tudo que está acontecendo. Em dezenas de ocasiões, encerrei meu trabalho na sexta à noite e encontrei no domingo features novas no Comp.OS (nosso produto interno de AI Agents) que nem sequer sabia que estavam planejadas. Quando olho o canal de code reviews, o Sereno (um dos engenheiros do time e meu companheiro de idas ao teatro) tinha enviado vários PRs entre sexta às 19h e domingo às 15h e o produto estava muito melhor. Em um cenário como esse, onde as coisas mudam muito rápido, querer estar por dentro de tudo é a chave para ficar sobrecarregado e distraído.
Então, a saída que encontrei, e que é amplamente adotada, é simplesmente confiar.
Hoje, nós operamos em duas grandes squads segmentadas: Comp.OS e Produtos Operacionais (nossa frente de desenvolvimento de produtos personalizados). Eu trabalho na frente de Produtos Operacionais. Acompanho apenas em alto nível o que foi shippado em Comp.OS e vice-versa. Preferimos operar com um sentimento profundo de confiança que nos permite avançar rápido do que criar processos, burocracias, camadas de aprovação que parecem bonitos, mas geralmente escondem uma verdade mais profunda: não existe confiança mútua entre o time.
3. Seleção Natural
Em um ambiente com um senso de confiança e admiração tão robusto quanto o nosso, quando alguém não opera no mesmo calibre, fica muito nítido, muito rápido.
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4. Time compression = intensidade x senso de urgência
Parece que eu estou na Comp há 3 anos. As coisas acontecem tão rápido, são tantos testes, hipóteses, projetos, clientes ao mesmo tempo e a paranoia de como podemos nos mover ainda mais rápido é tão incessante que a noção de tempo fica completamente distorcida.
Desde que entrei, há 1 ano, foram tantos importantes saltos em nossa innovation stack e forma de operar que já parece uma eternidade desde a época em que operávamos em um modelo menos embedded no cliente, por exemplo. Hoje, isso é óbvio, mas só chegamos à conclusão de que precisaríamos fazer esse ajuste no modelo na velocidade a que chegamos, por conta da equação acima: alta intensidade com maniacal sense of urgency.
5. If you’re a business person, you should operate any role without breaking.
Na Comp eu configurei CRM, escrevi copy de product release, abri PRs, configurei e lancei AI agents internos, AI agents para clientes, fiz Customer Support, onboarding de cliente, trabalhei como PM “tradicional” (falar com cliente, escrever PRD, walkthrough com engenheiro), trabalhei como PM “moderno” (vibe code produto que vai para produção), fui analista de dados on-demand para projetos, etc.
Essa, definitivamente, não é uma especificidade minha. A Comp inteira opera assim. Nosso time de GTM criou skills de propostas e contratos, time de FDEs cria todos os dias relatórios, produtos e integrações usando IA, Engenheiros abrem PRs tagging o Claude no Slack e tem exposição a clientes, especialistas de RH criam ferramentas robustas para clientes em horas (não dias) integrando expertise de RH de décadas com tecnologia. Não existe “escopo” escrito em pedra. Vamos até onde é necessário para resolver problemas e gerar valor para o cliente. O ambiente te empurra para aumentar seu throughput em 10, 20, 50x a todo tempo.
Algumas das nossas criações internas que foram desenvolvidas por pessoas de negócio:
Tyrion: agente de inteligência comercial
R2D2: agente para optimizar processos de vendas
Agente 13: agente analista de dados. Escreve query e gera análises em segundos a partir de pedidos em linguagem natural.
4. Skill para contratos: automatiza geração de contratos
6. Emotional commitment
A energia da Comp é mágica. Existe um “sentimento no ar” de que o que estamos vivendo é especial e que iremos lembrar pelo resto das nossas vidas destes anos.
Nós tomamos café, almoçamos, jantamos, passamos o domingo juntos no escritório. Existe quase uma relação de dependência que vai amadurecendo conforme você é contagiado pelo quanto as outras pessoas se importam com o negócio, pelo quanto o que estamos fazendo é legal e pela admiração que existe entre as pessoas do time.
Um ponto crucial é a importância das famílias nesse processo. O volume que trabalhamos não é convencional. Isso significa que inevitavelmente sobra menos tempo para pais, mães, namorados(as), esposos(as), etc.
E aqui ficou uma lição prática para mim, que é: envolver as famílias no processo. Na Comp House, em todos os nossos encontros (Happy Hour, celebrações), SEMPRE os “Plus 1” são bem-vindos. Isso é algo intencional para que essas pessoas estejam expostas ao ambiente contagiante, possam ver o quão incrível é a equipe com quem a pessoa que elas amam trabalha, entendam um pouco mais da grandeza da oportunidade. No momento em que for empreender, com certeza, esse é um grande aprendizado que irei levar comigo.
7. Intensidade não convencional
Operamos em intensidade alta. Bem alta. Domingo após 12h parece um dia normal de trabalho. Vale dizer que não existe nenhuma cobrança com relação a isso. Pelo contrário, a cultura da Comp é clara: ninguém irá medir quantas horas você trabalha. Inclusive, temos unlimited time off. Sei que existe um pé atrás quando uma empresa diz oferecer isso porque, comumente, startups em crescimento acelerado querendo atrair talento de ponta vendem “dias ilimitados off”, mas na prática raramente é bem assim.
Na Comp, você está sempre a uma mensagem de distância de tirar quantos dias off você quiser, quando quiser. Posso dar meu exemplo. Neste Carnaval decidi tirar alguns dias de férias além do feriado para viajar. Não precisei pedir permissão. Apenas alinhei as entregas com o time e pronto. Simples assim. Obviamente, essa autonomia e confiança são acompanhadas de responsabilidade. Quando você está trabalhando, é esperado altíssima qualidade e velocidade.
8. Relentless adaptability
Nós intencionalmente nos colocamos na fronteira de operar com a combinação de cutting-edge AI e cutting-edge expertise de RH. Isso significa que, conforme AI avança, e sabemos que avança numa velocidade insana, nós continuamente nos adaptamos. Já passamos por Cursor, Codex, Claude Code, OpenCode. Pessoas não técnicas, por v0, Replit, Lovable, n8n, Claude Cowork. Não estamos falando de testes aqui ou ali, de escrever drafts de e-mails, de automações simples. Estamos o tempo inteiro rodando tudo com AI e testando novas formas de fazer melhor e mais rápido. De processos de backoffice a revisão de PRs, a escrever PRDs, processo de vendas, acompanhamento de projetos.
Para colocar em perspectiva, eu, um não-engenheiro, consumi 2,2 bilhões de tokens de Claude Code apenas este ano. Isso é equivalente a processar a série inteira de Harry Potter 1500 vezes, ou +35% de toda a Wikipédia em inglês, ou uma pilha de papel de 550 metros de altura. E, com certeza, não estou no top 3 das pessoas que mais consumiram tokens na empresa.
Já tivemos momentos em que literalmente descartamos partes inteiras de código ou fluxos de produto porque surgiu uma solução radicalmente mais simples para o mesmo problema. Em outras empresas, isso seria considerado desperdício. Seria necessário envolver múltiplas pessoas e um tempo assustador para tomar essa decisão. Para nós, é um huddle no Slack, uma proposta clara de por que iremos operar melhor e mais rápido e pronto. Decisão tomada. Strong opinions loosely held, nenhum apego ao passado e apetite altíssimo para adotar o que vai nos acelerar.
9. Conceito de ICM (Individual Contributor Manager)
Gestores não gerenciam pessoas, mas sim a qualidade e velocidade do trabalho que as pessoas produzem. Além disso, essas pessoas devem ser absolutamente capazes de executar o trabalho como um IC, caso falte capacity. Inclusive, isso é bem comum dado que a demanda de clientes cresce muito mais rápido que a velocidade com que conseguimos contratar.
10. Síndrome do Impostor
Juntar pessoas tão brilhantes em um ambiente tem inúmeros efeitos incríveis. Mas, um aprendizado que temos tido como empresa é como lidar com a Síndrome do Impostor quando você olha para o lado e vê gente tão brilhante que, em vários momentos, chega a assustar. Por vezes, você chega a duvidar da sua própria capacidade. Esse é um efeito não óbvio de densidade de talento.
Este é um sentimento comum para a empresa toda, incluindo Chris e Pedro (founders). Em nosso último offsite tivemos uma sessão para conversar sobre isso e até mesmo os dois abriram o jogo sobre como eles se sentem em muitos momentos sem respostas para perguntas difíceis, mas confiam em si mesmos e em todo o time, para descobri-las ao longo do caminho.
Honestamente, esse tem sido um tópico em que temos evoluído como empresa para ajudar uns aos outros. Estamos em busca de uma resposta sobre como lidar com isso da melhor forma, mas como já encontramos respostas para perguntas muito mais difíceis do que essa, tenho certeza de que acharemos para essa também.
Comp Future Founder Track
Trabalhar na Comp não é para todo mundo. Mas, para aqueles que querem ter no seu trabalho um lugar para crescer como pessoa, desenvolver amizades e recalibrar definições de limites, trabalhar aqui se torna um privilégio difícil de mensurar. Para as pessoas que leram tudo isso e ficaram com o sentimento de “Que privilégio é trabalhar em um lugar assim”, temos um convite especial.
A Comp está lançando o Future Founder Program, um programa de 2 anos para pessoas extraordinariamente ambiciosas que querem fundar sua própria empresa nos próximos 3–5 anos.
Essa posição foi intencionalmente desenhada para ser o “último trabalho antes de fundar uma empresa”. Você será responsável por resolver problemas de ponta a ponta em áreas como produto, go-to-market (GTM), dados e operações, com exposição direta aos fundadores e investidores.
O objetivo é simples: comprimir anos de aprendizado de um founder em 24 meses e que você saia do programa com experiência, rede de contatos e fôlego financeiro para iniciar sua própria empresa. Como alguém participando desse track, posso dizer que não existe um ambiente tão poderoso para te preparar para virar founder quanto o que temos aqui.
Você encontra mais sobre o programa e como aplicar neste link. Em paralelo, caso queira contar sobre sua história e marcamos um papo, meu whatsapp é (41) 99903-4166.
Agradecimentos Especiais
Gostaria de agradecer ao Lucas por abrir mais uma vez sua newsletter para uma collab tão especial quanto essa.
Gostaria de agradecer ao meu amigo Rafa Haber por ter feito a intro com o Pedro há mais de um ano. Obrigado pela confiança e gentileza!
Agradecimento ao Chris, Pedro e todo o time Comp que são inspiração para nos tornarmos sempre pessoas e profissionais melhores. LW!
Gostaria de agradecer aos meus pais por me aguentarem nessa jornada. Sei que às vezes estou mais estressado do que o normal e tenho passado menos tempo com vocês do que eu gostaria, mas é por uma ótima causa.
Peace,
TH













