Prógonos
O artigo de hoje será sobre como vivemos em um mundo dominado e comandado por… Prógonos.
Esta palavra representa o espírito aventureiro daqueles que começam um movimento.
Mas antes de avançar, eu quero sua atenção para dois recados dos apoiadores do aura.
O primeiro é o Gama Fund.
Se este artigo tem uma tese, é essa: os maiores retornos nascem no momento em que quase ninguém acredita, ou seja, dos corajosos que lideram uma nova categoria.
Para os founders brasileiros que carregam essa ambição, um dos caminhos tem nome e prazo.
A Monashees e o AI Futures Fund do Google acabaram de lançar o Gama Fund, um programa de co-investimento para founders brasileiros construindo startups AI Native em estágio Pre-Seed ou Seed. As selecionadas recebem:
Até US$ 2M em investimento direto
Até US$ 350k em créditos Google Cloud e Gemini
Acesso antecipado aos modelos e ao time do Google DeepMind
Imersões presenciais nos EUA com a DeepMind e dentro do ecossistema da Monashees
A Monashees construiu o portfólio de sucesso — com nomes como 99, Rappi, Runway,Tractian — apostando em prógonos antes de o mercado dar nome a eles. Agora, junto com o AI Futures Fund do Google, está montando a infraestrutura para a próxima leva: capital, modelos de fronteira antes dos outros, e a rede que encurta o caminho de São Paulo ao Vale.
Se você sonha em criar uma empresa global, é difícil imaginar um lugar melhor para começar.
As inscrições vão até 10 de agosto, em www.gamafund.com.
O segundo recado é da grande amiga do sunday drops, a Onfly
Onfly é a maior plataforma de gestão de viagens corporativas do Brasil.
Com a Onfly, sua empresa centraliza reservas de voos e hotéis, gestão de despesas e cartão corporativo em uma solução só. O viajante reserva com autonomia dentro da política da empresa, o gestor aprova em tempo real, e os custos ficam visíveis do início ao fim, sem planilha de reembolso, sem agência, sem burocracia. Com eficiência e economia.
Conheça em onfly.com.br
Prógonos
Estava eu tomando um vinho nacional surpreendente quando me deparei com o seu nome curioso: Prógono.
Descobri este termo significa líder de um movimento, ou seja o precursor, o primeiro de uma categoria. O nome fazia ainda mais sentido quando entendi a história do vinho porque ele só existe porque uma nova tecnologia tornou possível cultivar uvas de alta qualidade nas serras de Minas Gerais.
Existe um padrão presente nos prógonos. Ele descende de quem tem a coragem de agir nesse começo, antes da clareza.
Neste artigo, quero explorar o prêmio — e também o custo — de enxergar cedo demais através de diferentes cases.
I
A Etched acabou de levantar uma rodada de US$ 300 milhões, liderada pela Sequoia, sob o valuation de US$ 10,3 bilhões, que é o o dobro do que valia em dezembro. O foco da empresa é criar chips para o processo de inferência dos modelos de inteligência artificial, que é a etapa em que ele gasta poder computacional para “pensar" antes de responder. (Já escrevi sobre inferência aqui)
A história começou em 2022, quando dois dropouts de Harvard de 21 anos decidiram construir um chip melhor que o da NVIDIA e alí, a resposta da indústria foi unânime: impossível. No mundo dos semicondutores, as grandes empresas nascem de veteranos de 40, 50 anos, com uma carreira inteira de chips entregues.
Não foi fácil para os prógonos da Etched. A tese era o que importava: todo GPU e TPU rodando IA hoje foi desenhado antes do ChatGPT, e a inferência se tornaria o maior mercado do mundo. Em 2022, isso era contra o consenso. Quatro anos depois, a inferência já responde por mais da metade do gasto em infraestrutura de IA, a Etched virou a primeira empresa de hardware fundada depois do ChatGPT a colocar um chip funcional no mundo e acumula mais de US$ 1 bilhão em demanda de clientes antes mesmo do primeiro produto chegar ao mercado.
O valuation de US$ 10,3 bilhões existe porque eles agiram quando a maré ainda era invisível. Desbravaram e estão capturando o prêmio.
II
Ser prógono é assumir riscos. Eu não sei se você percebeu, mas o criticismo perante o linkedIn cresceu nos últimos meses, pelo excesso de conteúdo medíocre construído por IA. Isso não afeta apenas essa rede, mas outras como o próprio substack, que sofre cada vez mais com o conteúdo genérico. A rede que utilizo para minha newsletter resolveu fazer uma aposta: adicionou o Pangram, uma plataforma que mensura o quanto de IA tem em cada texto, dentro da plataforma.
É um movimento ousado que tenta controlar e separar o que é humano, do que é inteligência artificial, dentro de uma rede. Substack tem sido pioneiro nisso, o que pode ser um diferencial ou o risco. Só o tempo mostrará se é um precursor.
O artigo do CEO sobre esta medida:
III
Esses dias tive o prazer de visitar fazendas de café em São Gotardo, Minas Gerais. A fazenda em questão é referência no país e uma parte significativa da produção vai para países como Japão. Este local une quantidade, com qualidade, sendo a última uma variável mais importante. Uma das surpresas que tive é algo que acontece em todo o país: o uso de tecnologia intensiva na produção do agronegócio, que torna o processo mais produtivo e melhor. A gente talvez esquece, mas somos prógonos no que tange o uso de tecnologia no agronegócio e graças a isso, a produtividade cresce de forma significativa desde 1970, como comprovado no gráfico abaixo.
O alpha no setor foi capturado pelos desbravadores tanto em tecnologia, quanto em área geográfica, afinal, a medida que a tecnologia avançou, áreas como cerrado - onde fica São Gotardo - passaram a se tornar também potenciais do setor. Os prógonos, mais uma vez, capturaram muito valor do pioneirismo.
O outro lado da história.
Mas é difícil ser prógono. O custo de criar um mercado, de fazer com que outras pessoas entendam seu movimento e até a dúvida se a sua crença está correta é inevitável. O ponto é que é mais difícil ser o primeiro, afinal não há exemplos ou referências.
Eu vou explicar através de dois cases:
O primeiro é Pelé. No episódio sobre o rei com a querida Flávia (sua filha) falamos sobre como Pelé se tornou o primeiro icone pop global e que esse conceito se fortaleceu com a ida para o Cosmos, time da Warner empresa de mídia. Isso veio a ser a base para toda uma categoria de atletas, que além de jogar futebol, ganham dinheiro e repercussão graças a imagem. Ele foi um prógono. O outro lado é que, por ter sido o pioneiro, tanto tempo atrás, ele abriu o caminho com acertos e muitos erros, como foi a gestão financeira do seu negócio. Ele se tornou o exemplo negativo que ensinou que jogadores precisam ser muito intencionais sobre seus negócios e no mundo ideal devem ter bons gestores ao seu lado. Esse é o outro lado da história de Pelé e o custo do pioneirismo.
O segundo case é Centeni. Breve spoiler: meu próximo episódio será com os founders, que acabaram de fechar a empresa e escreveram um post mortem que vamos dissecar. Eles escrevem disse: “Mudar cultura é caro e lento. Se a sua tese depende de uma transformação cultural acontecer dentro do seu runway, ela provavelmente não vai acontecer.”
Isso exemplifica o problema do pioneirismo, afinal, a criação de categoria é lenta, longa e cara.
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Quando encontrei a palavra Prógono naquele vinho, achei apenas um nome bonito, mas ela parece ir além: é uma boa lente para enxergar o mundo.
Toda grande transformação começa quando alguém decide apostar em uma ideia que ainda não encontrou seu tempo. Alguns desses movimentos desaparecem. Outros mudam uma indústria inteira.
A diferença, quase sempre, só fica clara olhando para trás.
Talvez seja por isso que os prógonos raramente sejam reconhecidos no momento em que estão construindo. Afinal, se todos já conseguissem enxergar o caminho, eles deixariam de ser os primeiros.
E como diz Jung:
Se a estrada a sua frente está clara, provavelmente você está seguindo a de outra pessoa.
Obrigado pela leitura e até o próximo domingo,
Lucas
PS: Não esqueçam de checar o Gama Fund.






