Deep Work

[TL,DR; Deep Work é uma metodologia de produtividade; O texto é um overview sobre ela e seus impactos]

Eu amo trabalhar. Mas também amo fazer esportes, estar com minha família, ir para um bar com meus amigos, assistir aos jogos do meu time, ler, viajar. Dito isso, sempre me perguntei se é possível e de que forma seria conciliar o meu desenvolvimento profissional com a minha vida pessoal que tanto amo e não vou abrir mão. 

Motivado por essa curiosidade, li muito sobre produtividade para otimizar a minha vida. De tudo que eu li e apliquei, existe um livro que transformou a minha rotina: Deep Work, do Cal Newport. Estou escrevendo esse texto por duas razões:

  1. Eu adoro recomendar esse livro pois ele conseguiu (por um tempo) transformar minha rotina e forma de trabalhar.

  2. Estou tendo dificuldades em aplicá-lo nos últimos 6 meses e escrever sobre ele é uma forma de renovar a minha “fé” nos conceitos e relembrar sua importância para mim mesmo. 

Por que Deep Work me impactou?

O que me fez encantar pelo conceito é a possibilidade de produzir trabalhos de muito valor que podem se aliar a uma vida equilibrada. Por exemplo, o próprio autor, Cal Newport, é professor de Ciências da Computação na Universidade de Georgetown, escreveu 6 livros, tem 3 filhos, bateu recorde anual de publicações da Universidade tendo uma rotina de trabalho das 7 às 17 horas. Uma das explicações para essa alta performance pode ser o QI dele ser muito elevado, mas ele insiste que o segredo é uma organização de trabalho focada na alta produtividade e eliminação das distrações. Além do exemplo pessoal, ele também conta casos como o de:

  • Carl Jung, que na sua rotina dividia o dia entre: consultórios e trabalho profundo para publicações, que de tão originais e completas o tornou um dos mestres da Psicologia.

  • JK Rowling, escritora de Harry Porter, que para conseguir escrever os livro hackeou o ambiente do dia-dia, viajava sozinha e ficava em um quarto de hotel para se livrar de distrações e focar no que importava de forma profunda: escrever.

O que é Deep Work

Segundo Cal Newport, existem dois tipos de trabalho: 

Shallow Work é o trabalho não cognitivo, que geralmente é caracterizado por tarefas que podem ser performadas em um estado de baixa concentração. São tarefas como: Responder um email, ser passivo em uma reunião, preencher uma planilha que poderia ser automatizada.

Já o Deep Work é sobre atividades performadas em um estado de alta concentração, no qual você leva suas capacidades cognitivas ao seu limite. Por exemplo: Escrever, criar uma planilha, codar, produzir um memorando, etc. Para Cal, esse é o tipo de trabalho que gera os maiores outcomes para os praticantes, tanto no incremento de habilidades quanto na qualidade das entregas

e também são esses trabalhos que são mais difíceis de se replicar, sendo que no longo prazo, são as entregas profundos que te fazem difícil de substituir em uma organização.

Sempre no seu dia-dia haverá tarefas shallow ou superficiais, a beleza do framework do Deep Work é que ele incentiva você a definir horários e momentos para performar essas atividades. 

Por que estou tendo dificuldades em aplicá-lo? 

A treta do Deep Work é que ele é anti-natural e exige um ambiente de baixa distração. Explico:

  • O nosso cérebro sempre procura estímulos: Ele não gosta de tédio ou de se forçar a concentrar intensamente. A prática da concentração deliberada não é natural e a gente acaba por forçar isso para conseguir criar trabalhos de alto valor. 

  • Temos tantas possibilidades de nos entreter e o mundo está tão conectado e cheio de informações que é cada momento mais difícil se concentrar. Temos Whatsapp, Instagram, Slack, Email, Twitter, Linkedin, Internet em geral. E todas essas plataformas competem por nossa atenção, então nosso cérebro está cada vez mais remodelado por estímulos de baixo valor que nos entorpecem.

Esse tem sido o meu problema: são tantas informações que tem sido desafiador colocar a minha cabeça em um ambiente de baixa distração para que eu consiga trabalhar de forma mais profunda. Cal Newport costuma dizer que é um exercício, assim como tocar guitarra: você precisa ir evoluindo aos poucos para ir adequando o seu cérebro ao trabalho profundo. Ele escreveu um livro sobre Digital Minimalism, no qual ele recomenda você sair das redes sociais, mas esse conselho por enquanto eu não vou seguir 😂😂

4 passos para começar a aplicar o Deep Work

  1. Bloqueie um tempo na sua agenda

Você precisa ter um horário na agenda dedicado ao trabalho profundo. Neste momento, não abra emails, não toque no celular, não surfe na internet. Foque apenas no que você estiver produzindo.

  1. Escolha um lugar livre de distrações

Salas privadas funcionam bem. Cal é um grande crítico de ambientes de trabalho open space pois favorece distrações, mas esse ponto é uma conversa para outro artigo.

  1. Descanse e desligue do trabalho

Tenha um horário de término de trabalho e evite abrir e-mails ou coisas relacionadas ao trabalho. Aproveite e se dedique aos seus hobbys nesse tempo e nas atividades que te fazem bem. 

  1. Metrifique

Calcule o tempo que você passou performando em trabalho profundo e acompanhe a a sua evolução. 

Conclusão

Cal costuma dizer que a habilidade de se concentrar e produzir tarefas profundas será o “superpoder do século XXI” e eu tendo a concordar que essa será uma das habilidades mais importantes em um mundo de tantas distrações. 

Se você gostou, recomendo comprar o livro do Cal Newport ou ouvir podcasts, palestras do Cal sobre o tema. O que gosto é que ele não tenta enquadrar todos os trabalhos em uma caixinha: Ele estrutura diferentes arquétipos por tipo de trabalho e um desses arquétipos pode se encaixar com o que você ambiciona. 

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